Coçar os olhos é um hábito comum, especialmente em pessoas que sofrem com alergias, rinite ou sensação frequente de coceira ocular. Muitas vezes, esse gesto parece inofensivo e até traz alívio momentâneo. No entanto, o ato de esfregar os olhos de forma repetida pode causar danos importantes e, em alguns casos, permanentes à córnea.
A córnea é a estrutura transparente localizada na parte frontal do olho e desempenha papel fundamental na qualidade da visão. Quando submetida a atritos constantes, ela pode sofrer microlesões, inflamações e alterações na sua forma. Um dos principais riscos associados ao hábito de coçar os olhos é o desenvolvimento ou a progressão do ceratocone, uma doença em que a córnea se torna mais fina e deformada, prejudicando a visão de forma progressiva.
Além do ceratocone, coçar os olhos com frequência pode aumentar o risco de infecções oculares. As mãos carregam bactérias, vírus e outros micro-organismos que, ao entrarem em contato com os olhos, podem causar conjuntivites, ceratites e outras inflamações. Também é comum que esse hábito agrave quadros de olho seco, aumentando a sensação de ardência e desconforto ao longo do dia.
Muitas pessoas coçam os olhos como resposta automática a alergias oculares. Nesses casos, o tratamento correto não é esfregar, mas sim identificar a causa da alergia e tratar adequadamente, seja com colírios específicos, controle ambiental ou orientações médicas. O alívio momentâneo da coceira pode mascarar um problema maior e atrasar o diagnóstico.
Sinais como coceira frequente, visão distorcida, sensibilidade à luz e necessidade constante de trocar o grau dos óculos devem ser investigados. Exames da córnea, como topografia e tomografia corneana, ajudam a identificar alterações estruturais precoces, permitindo intervenções antes que a visão seja comprometida de forma mais grave.
Evitar coçar os olhos é uma medida simples, mas extremamente importante para a saúde ocular. Caso a coceira seja recorrente, o ideal é procurar um oftalmologista para avaliação. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado ajudam a preservar a córnea e a evitar complicações futuras.
Artigo escrito por:
Dra. Cristine Mascato
Médica Cirurgiã, especialista em: Pterígio, Ceratocone, Olho Seco.
CRM – 2378 | RQE 2463
Julia Herrera Hospital de Olhos
Responsável Técnico – Dr. Roberto Mascato – CRM 2020 | RQE 710